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A primeira imagem real do lado oculto da Lua: Curiosidades

Olhando da Terra, parece até que a Lua é um mero disco de uma só face suspenso no céu. Mas a nossa   companheira orbital de bilhões de anos é redonda assim como a Terra e possui outros lados além   daquele que vemos aqui da superfície. É comum que muitos chamem a região que não observamos de “lado   escuro”, o que é um termo errado e que não condiz com a realidade, já que o outro lado da Lua é   iluminado pelo Sol pelo mesmo período de tempo que o nosso lado também é. Mas de qualquer forma, é   um lugar misterioso e pouca gente sabe que ele já foi registrado algumas vezes na história. No vídeo   de hoje, você vai conhecer o primeiro registro real do lado oculto da Lua. A Lua é um satélite   natural com uma diâmetro de aproximadamente 3.475 quilômetros em uma órbita travada por maré. Isso   significa que, apesar da Lua ter um movimento de rotação e translação, a duração de ambos coincide   com quase o mesmo período de tempo. Em outras palavras, a Lua tem só uma face virada para a   Terra porque seu movimento de rotação, que dura aproximadamente 27 dias para acontecer, é quase   o mesmo período de tempo que leva para orbitar completamente a Terra. Sendo assim, a não ser que   a gente mande uma sonda até lá para fotografar o outro lado, nunca veríamos ele daqui da superfície   com nossos próprios olhos. Essa região da Lua ainda é chamada constantemente de “lado escuro”,   o que não faz nenhum sentido literal porque recebe a mesma quantidade de luz do Sol por   um período igual ao lado virado para a Terra. Isso quer dizer que no período aproximado de 27 dias,   enquanto estamos passando pela fase nova, ou seja, a Lua está escura para observadores terrestres,   o outro lado está recebendo totalmente a luz da estrela da mesma forma como vemos acontecendo   em períodos de fase cheia. No final das contas, o lado oculto é iluminado quando está oposto ao Sol   e o nosso lado é iluminado quando ele está virado em direção à estrela. Agora que já entendemos a   dinâmica orbital, dá para entender porque esse lugar é tão desconhecido e só a partir do início   da exploração do espaço é que tivemos os primeiros vislumbres dessa região até então desconhecida. A   primeira missão a se aventurar a tirar uma foto do lado oculto da Lua foi a Luna 3, lançada a partir   do Cazaquistão pela União Soviética em 1959. Essa missão fez parte do programa de exploração Luna,   focado em lançar espaçonaves exclusivamente com destino ao nosso satélite natural. O   programa durou entre o final da década de 50 e persistiu até metade da década de 70. Foi então   que em outubro de 1959, a sonda Luna 3 sobrevoava a aproximadamente 63 mil quilômetros de distância   de uma região totalmente intocada do satélite natural, revelando através de imagens com muitos   ruídos, uma parte da Lua que nunca tinha sido revelada para qualquer humano na história. Naquela   época, apesar das imagens em baixa resolução e falhas na recepção, a sonda Luna 3 revelava que   outro lado da Lua é surpreendentemente diferente do lado virado para a Terra, mostrando diferenças   marcantes de ausência dos grandes e escuros mares de lava solidificada que cobrem boa parte do lado   próximo para a Terra. A sonda revelava também um lado cheio de crateras de impacto de todos   os tamanhos e idades. Era uma visão que ficaria para a história e inspiraria outras missões a   tentar de fotografar ainda melhor essa lado desconhecido. Eu sei, a imagem não é das melhores   e não tem como negar, mas as fotos em alta resolução também não demorariam tanto tempo para   chegar e revelariam ainda melhor esse lado oculto. Mas quando falamos desse outro lado, temos que   levar em conta que transmitir rádio a partir dali era praticamente impossível, porque a massa da Lua   tomava à frente e os sinais não conseguiam chegar nas antenas terrestres. Então, outras imagens   melhores só viriam a aparecer na década de 60 com o surgimento de outros programas como o Lunar   Orbiter e o início das missões Apollo. Enquanto os três astronautas da missão Apollo orbitavam a Lua   pela primeira vez na história em dezembro de 1968, eles se encarregaram de registrar com mais fotos   aquela região e agora sim, tínhamos uma visão muito melhor do lado oculto da Lua e percebemos   mais uma vez a incrível diferença impressionante com o nosso lado. A missão Lunar Orbitar também   registrou imagens incríveis daquela região na década de 60, e também revelou que aquela   região era verdadeiramente única. A região não tinha tantas variações de manchas e isso   intrigava os cientistas cada vez mais, abrindo discussões sobre hipóteses da formação do nosso   satélite natural. Em 1972, a missão Apollo 16 passava por trás da Lua e registrava uma outra   imagem ainda mais nítida, revelando as crateras que existiam por ali. A partir daqui, a região   não era tão desconhecida assim, depois de tantos vislumbres registrados. Pulando algumas décadas,   chegamos em 2009 com o lançamento do LRO, sigla em inglês para Orbitador de Reconhecimento Lunar. O   satélite que orbita a Lua desde então fotografou ainda mais de perto esse lado oculto e com uma   tecnologia de câmeras bem mais sofisticada, era o momento ideal para a visualização das crateras   que ali existem. Usando um conjunto poderoso de câmeras, o orbitador conseguiu criar a imagem de   mais alta resolução já obtida desse outro lado e, se antes restava alguma dúvida quanto à nitidez   das imagens, agora não tem como e essas fotos revelam toda a face escondida. A própria NASA usou   o LRO para recriar a primeira imagem da Luna 3 com a do LRO e a diferença é absurdamente grande,   mas ainda sim percebemos a semelhança entre as fotos. Mas calma que ainda não acabou, pois   essas fotos foram feitos do espaço, agora falta da superfície, porque sim, tivemos um rover que   pousou por lá. Durante a missão Chang’e 4, a China conseguiu pousar suavemente um lander e o pequeno   rover Yutu-2. Era a primeira vez na história que uma nação conseguiu pousar com sucesso   um equipamento por lá, afinal, lembre-se que a comunicação por rádio é bem difícil, tanto que foi   necessário que um satélite fosse colocado na linha visada entre os equipamentos na superfície lunar   e a Terra, para que houvesse a intermediação entre as comunicações. Lá, a missão registrou imagens da   superfície do lado oculto e temos vídeos incríveis do pequeno rover se deslocando pela superfície.   Uma verdadeira façanha da tecnologia e engenharia espacial! Bom, depois dessa jornada de registros,   ainda sobra uma questão muito importante: por que o lado oculto da Lua é tão diferente da região   virada para a Terra? Bom, a verdade é que não há consenso científico ainda. Uma das hipóteses   mais aceitas é que no início do Sistema Solar, um pequeno planeta colidiu contra a superfície   do lado oculto. Este impacto teria lançado grandes quantidades de material que eventualmente cairia   de volta na superfície lunar, enterrando o outro lado em quilômetros de destroços.   Outra hipótese também envolve o lado oposto da Lua com uma crosta mais espessa. Enquanto a Terra e a   Lua estavam se formando, o calor da Terra ainda derretida desacelerou o processo de resfriamento   do lado virado para nós. O lado oculto então conseguiu solidificar mais rápido, criando   uma crosta mais espessa. Isso resultaria em uma superfície mais fina no lado próximo da Terra e   impactos de meteoritos perfurariam o manto ainda derretido, liberando lava para a superfície para   criar essas manchas. Mas a verdade é que ninguém sabe ao certo o motivo, o que torna esse um dos   grandes mistérios da Lua! De qualquer forma, o lado oculto da Lua não é mais hoje tão misterioso   assim, pois temos muitos vislumbres daquela região. Talvez um dia a gente chegue num consenso   sobre a diferença entre os dois lados, mas só pelas imagens já é suficiente para matar nossa   curiosidade acerca da aparência. É de fato um lugar incrível! Pessoal, se vocês gostaram deste   vídeo, não se esqueçam de deixar o like aqui que é muito importante e, se você não está inscrito   aqui no canal ainda, convido você a apertar o botão inscrever-se aí embaixo. Até a próxima!

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